FÁBRICA DE ZUMBIS
1.
Comunicação predadora
Michael Jackson, o maior
ídolo pop global, foi perseguido de forma implacável, pelo midiático promotor
americano Thomas Sneddon e pela representante da imprensa, a jornalista Diane
Dimond. Juntos, acusavam o pop star de praticar pedofilia na sua mansão em Los Angeles.
O promotor e a jornalista conseguiram transformar a vida do Michael em um
verdadeiro inferno entre 2003 a 2005 quando foi levado a Júri. Mas, diferente
do Brasil, a justiça americana não é uma de suas mazelas, e Michael foi
inocentado. A transcrição dos autos do julgamento revelaram contradições,
inconsistências, montagens e mentiras por parte dos acusadores. Lá, como aqui, não interessava a mídia
divulgar a verdade, pois a desacreditaria perante a opinião pública, assim
mantiveram a condenação moral. Especialistas entendem que o promotor e a
jornalista são responsáveis diretos pelo trágico fim do cantor.
A manipulação da população pelos
meios de comunicação em massa, ao longo da historia, resultou em distorções que
geraram julgamentos viciados, medo, hostilidade e linchamentos fatais:
- Jesus optou pelos
pobres, pelo povo. Pilatos deu ao povo a oportunidade de poupar sua vida. Em
resposta ouviu desse povo: crucifica-o.
-Nero nem estava em Roma
quando esta pegou fogo. Mas, pergunte a qualquer um quem tocou fogo em Roma?
-Cerca de seis milhões de
americanos entraram em pânico no dia 30 de outubro de 1938 quando
centenas de marcianos hostis (isso mesmo: mar-ci-a-nos) invadiram a terra. A
invasão durou cerca de uma hora. Foi o tempo que levou o genial Orson Welles
para convencer aquela população, fazendo-os acreditar que naves extraterrestres
aterrisara em Nova Jersey trazendo a bordo terríveis invasores. Na verdade tudo
não passou de uma dramatização transmitida pela CBS, caracterizada como
“notícia em edição extraordinária”. Tinha todas as características dos
noticiosos da época aos quais os ouvintes estavam acostumados. As manchetes do
dia seguinte foram: “guerra falsa no rádio espalha terror pelos Estados Unidos”
(se fosse aqui, a invasão estaria acontecendo até hoje).
-Hitler não precisou de nenhum fato contundente, nenhuma ação
agressiva de supostos inimigos, para convencer o povo alemão a odiar
mortalmente os judeus e outras minorias. A consequência foi o extermínio de
mais de seis milhões de pessoas. A
eficiente propaganda nazista levou a maioria dos alemães a um estado de torpor
incapaz de perceber a barbárie.
-No Brasil as oligarquias, com seus tentáculos nas principais
instituições com poder de decisão e manipulação, patrocinaram uma agressiva
campanha, utilizado inclusive recursos públicos, para barrar, e se possível
eliminar, os avanços sociais, que supostamente poderiam gerar alguma redução de
suas ostentações. Para isso trabalharam de forma estratégica e coordenada a
mídia e poder judiciário ao longo de dez anos. Não tiveram nenhum escrúpulo em
promover uma rixa entre brasileiros, incentivando subliminarmente o preconceito
e a intolerância, num envolvimento e subserviência da população brasileira, sem
precedentes.
2.
A estratégia da manipulação em massa.
As premissas determinantes no sucesso da cooptação do indivíduo para
adestramento e integração a um coletivo sem autonomia crítica, segue alguns
passos comuns ao longo da história:
- A quase totalidade das pessoas manipuladas não questionam as
gritantes inconsistências dos relatos, até porque, acomodar-se em manadas
evitando o embate é muito mais confortável, pelo menos enquanto a chicotada é
no lombo alheio.
-Repetição, muita repetição das mensagens persuasivas e condicionantes,
até saturar qualquer tentativa de reação por parte daqueles que mantém a massa
encefálica ativa. Já os grupos cooptados ou subornados (O MBL, por exemplo, no
Brasil) passam a treinar “soldados” para defender a “causa” e intimidar
eventuais opositores, sem sutileza, na base da ignorância mesmo, que é seu
recurso natural.
- Domínio estratégico dos canais de comunicação com a eliminação de
canais paralelos ou concorrentes conflitantes.
Nos países totalitários isso é
conseguido com o uso da força. Nos países ditos democráticos, como o Brasil, é
conseguido através de acordos tácitos entre os diversos meios de comunicação.
Aqui as mídias (Folha/Uol, Estadão/ MSN, JB/Terra, Yahoo, Band, JP entre
outros) se alinharam ao grupo Globo por dois motivos: afinidade ideológica ($),
ou medo de serem extintas pelo rolo compressor que detém extraordinária
capacidade de intimidar e acovardar políticos, magistrados e outras autoridades
e ainda funcionar como uma usina de fabricar zumbis.
3.
Não tem como não assistir a Globo
Há três anos, optei por não assistir mais a Globo e a Globo News. O
motivo: sistemática manipulação, cruel e sem escrúpulo, de seus telespectadores
cuja massa encefálica jaz adormecida, pelos anos de relativa prosperidade e
respeito. Depois parei também de ouvir as rádios Bandeirantes, Jovem Pan, CBN e
Eldorado (até então minhas preferidas), pois até nas jornadas esportivas utilizavam
dos mesmos recursos da Globo, como se obedecessem a um comando único.
Mas, não assistir a globo é praticamente impossível. Vamos pegar a
rotina de um paulista em um dia estendido:
-Acorda, na correria, não ligou a TV. Antes de entrar no trabalho toma
um cafezinho num bar ou padaria: lá tem pelo menos uma TV passando um jornal da
Globo. Mesmo que não queira assistir, funcionários e frequentadores ficam assim
expostos diariamente às manipulações características do grupo Globo, como ratos
condicionados em laboratórios.
-Na hora do Almoço ou lanche, no refeitório tem uma TV ligada na
Globo. Se for ao restaurante fora do trabalho, também tem.
-Vai ao dentista ou consultório médico: enquanto aguarda ser atendido,
na sala de espera tem a Globo ligada, a revista Veja para os pacientes e
Claudia para as pacientes.
-O médico lhe passou alguns exames você vai fazêlos: em todas as salas
de espera dos laboratórios tem Globo.
-Precisa passar no salão para ajeitar o cabelo: lá tem Globo e os
clientes ante-petistas descendo o pau no Lula com a concordância automatizada
de seus profissionais.
-Como ninguém é de ferro, chega o fim de semana. É hora de dar uma
decidinha até a praia para comer um camarão frito ou só beber uma quase
geladinha: a maioria dos quiosques tem TV ligada na Globo.
-E hora de pegar a passagem para voltar da praia ou do interior: não
se preocupe, a rodoviária tem várias TVs ligadas na Globo.
-Em viagens acima de 3 horas, os ônibus costumam parar em posto de
serviços com restaurantes ou lanchonetes: todos tem TV ligada na Globo.
-Se precisar visitar um paciente num hospital ou maternidade, fique tranquilo,
na sala de espera e nas cafeterias internas tem Globo. Aliás, fui visitar uma
paciente numa CTI de um hospital público e, acreditem: no alto do quarto uma TV
de tela plana ligada na... Globo.
Assim, a rede globo consegue uma audiência compulsória e involuntária
em todos os locais que pessoas se encontram para se sociabilizar, descansar,
trabalhar ou esperar ser atendido. Ou seja, nos seletivos momentos em que o
individuo, pelas circunstâncias, está disponibilizado para prestar atenção em
qualquer coisa, lá está a Globo com suas chamadas sensacionalistas e seus
apresentadores dramáticos para conseguir essa atenção.
É praticamente um monopólio, pois não existe o contra ponto uma vez
que, como relatado anteriormente, as principais mídia alinharam seus editoriais
aos da Globo.
O efeito é devastador do ponto de vista da autonomia crítica do
indivíduo, pois sempre que acessar qualquer uma dessas mídias ou entrar em um
desses pontos alimentados pela Globo será submetido as mesmas mensagens
cirúrgicas por diferentes personagens que compõem o exército cooptador.
A consequência funesta é que o Brasil chegou a uma encruzilhada:
Democracia ou Globo.
A Globo é quem vai escolher... E não vai ser Democracia.

